sábado, 29 de novembro de 2008

SOLIDÃO


Essa incansável andarilha

de endereços incertos

que entra pelas frestas do vento

e se encaixa nos labirintos.


Se faz teia no ar.

É tanta que não cabe à luz do dia.

E se espalha e lateja

além do corpo entre o ausente e a negra noite

entre a manhã e o açoite

ela floresce na terra e se despetala no ar.


Nada mais é do que o encontro

de um ponto de interrogação

e o ponto final.


Solidão...estrada torta das horas

na linha reta dos dias

dores em retalhos e gestos recortados

colados lado a lado.


Continua a vida.


E a solidão continua viva na madrugada

que invade o sonho

que nada mais é do que um muro

onde ela se refugia...


Rosy Moreira

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